(Ele) – Pois é como lhe digo minha cara, nada acontece por acaso... Se lua e o sol se namoram mas nunca consumam o acto não é porque não queiram...
(Ela) – Espere, nem sempre tudo é como parece! Mesmo que quisesse...
(Ele) – ... Mesmo que quisesse!? Está aqui, comigo, agora... Podia estar em qualquer ponto do mundo, a ler um romance, a beber um chá, a decidir qual vestido usar amanha... Mas não, estais aqui...
(Ela) – Sabeis o que quero... porque me arreliais? Sabeis que também que nada posso fazer, que não irei ceder ao desejo... Sabeis que não irei trair os meus valores e as minhas ideias, a minha educação... Por favor...
(Ele) – Compreendo... Mas não entendo... Sabeis bem que vos amo... Sabeis bem que por si moveria o céu e a terra, os mares, percorreria montes e vales, seria capaz de matar e de morrer... Mas não me deixais amar-vos assim... Nem sequer posso ousar sonhar que vos amo, pois é tão forte que acordaria meio mundo com o meu pensamento... Porque castrais assim o meu amor por vós? Porquê que não percebeis que morro aos poucos, lentamente, como se o meu corpo fosse devorado a pouco e pouco por dentro, que nem mil lâminas a deslizar na minha pele é comparável...Porquê...