terça-feira, dezembro 04, 2007
Belo dia...
Está tudo dito não? Abraço aos amigos mouros, gostei de visitar a vossa casa, sem cinismo, mas enquanto houver magia no futebol, e esperemos que não acabe, vamos poder ver destas coisas...
http://www.youtube.com/watch?v=XE-TrkMh4ow
(o video...)
sexta-feira, junho 22, 2007
What will you say
Estou cansado, anestesiado, num estado de inércia. Parece que dói mas já não sinto. Um pouco moribundo. Por fora, e para fora, ainda há o sorriso para aqueles que nada têm a ver, e que me tentam ajudar, mesmo sem saberem minimamente o que se passa, mesmo sem me poderem ajudar... Mas fica a vontade, e o conforto que é ter que sorrir para eles... Eles merecem.
"What will you say", fica o nome de uma música que me tem acompanhado, apesar de nem sempre ser a que se adequa mais. Advinham-se tempestades, tormentos, dias complicados. Só tenho uma vela, sou capitão e marinheiro, eu e o meu barco e o meu leme, eu e a minha estrela polar, eu e a minha lua, eu e a noite, à espera que nasça o dia.
quinta-feira, junho 14, 2007
segunda-feira, junho 11, 2007
Ele e Ela - II
(Ele) – Por vezes sou capaz, sou imortal... nada me atinge... Mas não sou imutável, não consigo ficar inerte à mudança. Não percebo como poetas e prosadores, intelectuais, pensadores, são normalmente personalidades bem vincadas, sendo apenas ligeiramente moldáveis por situações esporádicas. Não percebo como desenham nas letras o que sentem, que tal como qualquer escritor, esperam que sejam lidas. Não percebo, mas sinto... É estranho, mas já nada me estranha...
(Ela) – Criticais pessoas que desconheceis e das quais não podeis ter opinião, e sabeis bem que também sois devoto à poesia. Desde que nos conhecemos, desde tenra idade, que escreveis, e sempre vos agradou a leitura, poesia era o género, o amor o tema...
(Ele) – E foi por acreditar no que escrevia que me tornei infeliz...
(Ela) – Não sois porque não levastes a vossa crença até ao fim...
(Ele) – Como ousais??
(Ela) – Nada mais é que a pura verdade, no amor não existem fases, no amor os defeitos são virtudes e no fim são o que mais nos caracteriza e aquilo que mais iremos sentir falta nas pessoas... É impossível que haveis pensado ou mesmo chamado feia, nem que por uma vez que fosse, a alguém que tenhais amado... Caso contrário, haveis mentido...
(Ele) – Sabeis que só amei uma alma na minha vida...
(Ela) – Sei que o dizeis sem pensar, mas que até poderá ser verdade, e sei que haveis amado também o corpo e não só a alma... O amor não cabe na alma, num corpo, nem mesmo num poema, numa ópera, nenhuma celebração humana poderá algum dia descrever o aperto que nos fica no peito, a dor que é ser tão feliz que nos esquecemos que o somos, a dor que é perder alguém que se ama, o que é o ar tornar-se tão irrespirável que queremos morrer naquele momento para não perder mais aquela sensação... Não sois Camões, que nem ele conseguiu descrever algo que provavelmente nunca sentiu na sua plenitude, nem vós... e pensais que sois detentor da verdade... Não brincais assim com um conceito que vos é desconhecido...
to be continued...
sexta-feira, junho 01, 2007
Sai-me a alma pela boca
Sei que nunca mais vou ser o mesmo. Sei que vou melhorar, crescer e aprender, porque nem sempre as coisas correm bem, e nem sempre somos quem queremos ser, nem estamos como queremos estar.
Nada acontece por acaso, e o acaso neste caso apanhou-me. Não o procurei mas ele sempre me acompanhou. Viajo no tempo em busca do tempo em que tudo era fácil, em que tudo estava bem. Não foi assim à pouco tempo, mas o tempo não pára e acaba por nos apanhar...
Sai-me a alma pela boca e eu não a consigo apanhar....
quinta-feira, maio 24, 2007
Ele e Ela
(Ele) – Pois é como lhe digo minha cara, nada acontece por acaso... Se lua e o sol se namoram mas nunca consumam o acto não é porque não queiram...
(Ela) – Espere, nem sempre tudo é como parece! Mesmo que quisesse...
(Ele) – ... Mesmo que quisesse!? Está aqui, comigo, agora... Podia estar em qualquer ponto do mundo, a ler um romance, a beber um chá, a decidir qual vestido usar amanha... Mas não, estais aqui...
(Ela) – Sabeis o que quero... porque me arreliais? Sabeis que também que nada posso fazer, que não irei ceder ao desejo... Sabeis que não irei trair os meus valores e as minhas ideias, a minha educação... Por favor...
(Ele) – Compreendo... Mas não entendo... Sabeis bem que vos amo... Sabeis bem que por si moveria o céu e a terra, os mares, percorreria montes e vales, seria capaz de matar e de morrer... Mas não me deixais amar-vos assim... Nem sequer posso ousar sonhar que vos amo, pois é tão forte que acordaria meio mundo com o meu pensamento... Porque castrais assim o meu amor por vós? Porquê que não percebeis que morro aos poucos, lentamente, como se o meu corpo fosse devorado a pouco e pouco por dentro, que nem mil lâminas a deslizar na minha pele é comparável...Porquê...
comentário
Senhoras e senhores, eis a verdadeira genialidade, porque que quem escreve assim não é gago.
" "houve dias melhores..."
sabedoria popular, melhor antídoto da pré-depressão/preparação para a acção: "depois da tempestade... a malta fica molhada e com alguma coisa para fazer sem pensar"; "quem espera... começa a mexer muito no tlm ou a dar toques com o resto de chicla, mas inventa sempre qualquer coisa"... isto tudo porque o outro espaço e tempo onde se podia estar de certeza que é pior que este... repara os que "se matam" pra lá ir parar acabam por voltar, sem se importar se virão pior vestidos... com menos tempo e espaço. Metáforas. Passageira é o mais brilhante dos adjectivos para a vida, não é?"
by neo
terça-feira, maio 22, 2007
algo mais...
Um trapezista... uma folha que decidiu voar do alto do cristo rei... uma gaivota ao fim da tarde pairando na foz de um rio... um papel que saiu de um carro e espera chegar ao chão... metáforas...
Já houve dias melhores, e irão haver mais, quando menos se espera, mas nem sempre se quer esperar... Nem sempre se quer fazer por isso...
Mundos mudos
Sei que é cena fora mas todo o dia chega aquela hora
em que o lado esquerdo chora quando se lembra de nós
A vida corre tranquila, cada vez menos reguila
meto guita de parte e a cabeça não vacila tanto
Para minha alegria e meu espanto
Pode ser que o passado fique por onde deve estar:
No pretérito imperfeito, já que não é mais-que-perfeito,
Este é um presente que eu aceito
Para atingir a tranquilidade
Que supostamente se atinge com a nossa idade
A verdade é que a saudade do que passou
Não é mais que muita...
Mas por muita força que faça ela passa por saber que te vivi...
Tu deste tudo e eu joguei, arrisquei e perdi
(...) refrao...
Cada vez que eu ligo eu tento deixar mensagem
mas acabo por nunca arranjar coragem
Necessária
Gostava apenas de poder partilhar o meu quotidiano habitual
Nada que se compare com as correrias
doutras alturas e outros abismos
E já que falo por eufismos
Gostava de dizer que ainda gosto bastante de ti...
A casa tá, (já) parece digna de gente
Dá gosto sentar no sofá com a tv pela frente
Comprei uma máquina de café
Xpto, bem bonita, azul bébé
Ocasionalmente cozinho e bebo o meu vinho
E esqueço o fumo que nos dava aquele quentinho
Hoje em dia é mais à base do ar condicionado
Condicionei a tentação num clima controlado
Quero que sabas que tou bem, sei que tu mais ou menos
Sempre gostaste de brincar em perigosos terrenos
Em relação a isso eu não sei o que fazer
E se calhar é por isso que acabo por não dizer que
a verdade é que a saudade do que passou
Não é mais que muita...
Mas por muita força que faça ela passa por saber que te vivi...
tu deste e eu joguei, arrisquei e perdi
(...) refrão"
Da Weasel - Mundos mudos
p.s.- sem nenhuma conotação pessoal, apenas gosto mesmo da letra.
segunda-feira, maio 14, 2007
Este texto é para ti
Há pessoas que por uma razão ou por outra nos marcam, outras que nos marcam pelo seu todo, tu és uma delas... A palmo de cara que me chamou a atenção e o fundo das costas que me subtraiu concentração, deixaram-me de imediato fascinado, e não descansei enquanto não conheci aquilo que existia por trás, e não me arrependi... Por trás daquele nariz empinado, beiço e sorriso de menina, estava um doce salgado, capaz de me tirar a respiração e de me derreter em dois tempos...
Hoje és mulher e senhora, conheci-te jovem, menina, fiz parte do teu crescimento, da tua evolução, muito me orgulho disso, muito me orgulho de te ter conhecido... És o orgulho de todos os que te rodeiam, amigos, família, és mulher adulta preparada p’ra tudo, és aquilo que sempre quiseste ser, vais ter tudo o que querias ter... conseguiste... parabéns...
Este texto é para ti. É pequeno, tinha de ser proporcional, mas é verdadeiro. Se fosse realmente escritor não seria apenas um texto, mas uma ode, ou algo de grandioso, mas como acho que já to disse, digo-te sempre, e tu sabe-lo, gosto muito de ti miúda...*
sábado, abril 28, 2007
Msg's de tlm... escrita do séc. XXI
Pois como parvo que sou senhora,
Não vos sei dizer as horas…
Mas o tempo corre…
E na vida corremos pra morte…
Pois como parvo que sou senhora,
Não vos sei dizer as horas…
2006
Sorri amiga,
Pois quando o fazes iluminas meio mundo…
E deixas sem palavras outro meio…
E porque ressentimento não cabe em mim muito tempo…
E porque o teu sorriso em qualquer situação é contagioso,
A vida é tão melhor do que qualquer tristeza…
E porque o tempo tudo cura…
E porque eu posso seguir a minha vida e tu a tua…
Sorri cara amiga, sorri…
2006
terça-feira, abril 17, 2007
Music is the way to your heart....
Mais novo, e por vezes ainda agora, muitas vezes criei a banda sonora da minha vida, até o simples caminho para algum sitio era razao para ter ouvir uma música específica. O estado de espírito era a razão mais importante, sempre gostei de ter a "companhia" adequada a cada situação e a cada estado de humor em que me encontrava. Sei que muita gente também o faz, não compreendo quem consiga viver sem ela.
A música é para mim a arte maior. Posso estar enganado, mas é provavelmente a única que pode ser disfrutada ao mesmo tempo em que está a ser criada. Um quadro é visto uma vez e chega, um livro pode ser lido, mas perde a piada a partir do momento em que ja se sabe a estória, uma música não. Quanto mais se gosta mais vezes se ouve, e nem é preciso ser ininterruptamente, basta que num momento, naquele momento, naquele instante, todo o contexto que nos rodeio peça a sua presença, e se ela surge então o momento fica completo... para sempre aquela música vai estar associada ao momento e todas as vezes que se ouvir...
segunda-feira, março 05, 2007
Liberdade
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papeis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca..."
sábado, janeiro 27, 2007
....II
" Não há nada pior do que nos apercebermos do que é dor (interior) passando por ela....E do nada surge uma musica... (paradise city) o poder que a musica tem.... Agonia, um aperto enorme no peito, não conseguir pensar noutra coisa, todos aqueles efeitos que toda a gente fala, e até mesmo eu já me tinha posto a divagar, todos eles são reais... todos eles doem... dói.... É difícil explicar... o sentimento é de perda, de impotência... abala-nos como se de um terramoto se trata-se, o pior é quando se sabe que ele ia acontecer... e não se quer acreditar... pois a ilusão é mais confortável, porque tal como uma droga engana-nos momentaneamente, mas quando se abre os olhos e a realidade está ali nua e crua... e não vai mudar... e dói... Porque que quando se acha ter o controle das situações é quando elas nos fogem mais rápido e escapam-se por entre os dedos...? o pensamento que resta é nunca mais cair em tentação, é nunca mais nos deixarmos levar pela ilusão, pela alegria contagiante que ela provoca, pelo coração.... Antes, a certeza de que era o que se queria era inata, era instantânea... agora, talvez pelo acumular dos anos, a certeza não é tão certa, nem sequer a queremos ter, e a imunidade que se quer ganhar a certo tipo de situações parece a melhor defesa possível, mas é ilusória... porque quando menos se espera, já perdemos o trilho, e tornasse praticamente impossível voltar para trás sem ser pelo único caminho que nos surge... a dor... Por momentos parece que toda a nossa vida nos passa à frente dos olhos, tal como se pensa acontecer momentos antes da morte, e por momentos também, surge a velha interrogação “o que é que eu fiz? O que é que eu fiz mal?”, por mais que nos digam ou que saibamos que a parte errada da situação pode não provir de nós... Mas dói..... "
2006
segunda-feira, novembro 27, 2006
...
Tu és o meu rumo
Tu és o meu norte
Sem ti estou perdido
Sem ti não sou ninguém...
A minha voz não sai
E as pernas não andam
Marte não está perto
Sem ti ele não existe
As folhas são mero papel branco
No qual as palavras saem sem nexo
Sem ti não sou ninguém...
O doce é insosso
E o sal nem chega a adoçar...
A chuva parece molhar
Mas são as lágrimas que secam
Os olhos cegos fingem ver
E as mãos trémulas mal sentem a luz
Sem ti não sou ninguém...
Querer parar...
Mas as unhas não deixam
E o sangue pára só de pensar
E a mão treme só de pensar
E o cantar não é igual
E o ser não é igual
Se parar morro...
Se não escrever engulo em seco
E aí tudo será pior
E aí a fonte seca
Se me faltares eu não escrevo
Se me faltares eu seco
Se me faltares sufoco
Se me faltares desapareço
Se me faltares, as meias que estão no meu chão deixarão de lá estar, e aí... aí não sou eu, deixei de escrever, sequei, sufoquei, desapareci, deixei de ser eu...
Não me faltes...
2003
Simplicidade
Há momentos em que, por mais acompanhado que se esteja, não se consegue estar sozinho! Sim, aquelas alturas em que o mais pequeno barulho do silêncio nos incomoda, e em que desejamos estar rodeados de gente, e estamos! É extremamente irritante, quase chegando ao ponto de ser aconchegante. Até o olhar de um peixe num aquário se torna insurdecedoramente silencioso. Procuramos a paz da agitação, mas não, tudo tirou o dia para nos chatear, incluindo nós próprios! Sim, porque eu consigo ser pacificamente irritante para comigo. Digamos que sou o meu pior inimigo, em todos os aspectos.
Procuro sempre arredar-me de todos estes problemas, mas o facto é que não é possível parar o mundo por uns minutos, minutos esses de divino sossego, e fazer com que ele cumpra com todas as nossas reivindicações e direitos.
Eu só quero um canto para mim, com um colchão, água quente, e aquecimento central, e se não fosse pedir muito, comida, um sabonete, e um discman, ou mesmo uma grafonola, não sou esquisito. Ah, e muitos cd’s ou discos. Pouco mais era necessário, até porque, a partir daqui tratam-se de luxos e não bens realmente essenciais... Posso até parecer um pouco esquerdista, posso até o ser... mas é um facto de que seria feliz apenas com pequenos confortos e luxos. Não sou idealista, mas há coisas bem mais importantes do que ter tudo e mais qualquer coisa.
Um exemplo é viajar pelo mundo. Para mim de valor inestimável, o conhecimento de outros lugares e culturas é um pequeno luxo ao qual todos deveriam ter direito, porque não, só depois escolher o sítio onde viver. Assim sim, isso era qualidade de vida. Mas lá está, para a maioria de nós, quando temos possibilidades para o fazer, já não temos nem vontade, nem força para o fazer, ou melhor, para o fazer em condições.
Não damos o real valor às coisas que realmente o merecem, enquanto isso o euro já vale mais que o dólar.
2004
2º acto...
O ser não basta
O querer não chega
A inocência é necessária
O saber um prémio
É talvez impossível
Querer algo tão apetecível
Mas são poucos a desejá-lo
É belo e utópico
É indescritível e transparente
Procurado a todo o momento
Em cada passo dado
Em cada dedo levantado
Foge e esconde-se
Disfarça sem passar despercebido
Mas existe...
Já testemunhado e sentido
É pássaro que não foge no Inverno
É folha que não cai em Outubro
Persiste e é eterno
Como a tinta ao passar no papel
E existe...
É verdadeiro e leal
É uma ponte p’ra felicidade
Estando em ambos os lados
É forte e fortalece
É sombra durante a noite
E luar em pleno dia
É “contentamento descontente”
É presente e omnipotente
É voar sem sair do chão
Cair sem magoar o coração
Ser e deixar matar
É renascer a cada dia
Sem nunca deixar este mundo
É ler numa folha duma árvore
Entre veios e pautas sem fim
Manter-se a sonhar constantemente
Viver em pleno sonho
Acordar com frio
Porque se adormeceu de calor
É contra-senso óbvio e compreensível
É querer mais nada
E tudo ser capaz de ter
E nada pedir em troca
E nada mais querer p’ra viver
É ser humano animal
Mas não se vê, não se explica
Não surge do nada, surgindo do desconhecido
Que seja
Amar...
2001
O mais nobre dos desenhos
Escrever é um escape
É uma arte
Ao alcance de todos.
É perpetuar o pensamento
É aliviar a consciência
Sem aborrecer o tempo
Sem fugir ao presente
É descobrir asas em pleno mar
Fugir entre medusas e anémonas
E acordar nas nuvens
Subir para uma janela
Ver uma gota a escorrer
Sem que nunca pare
E encontrar um piano a flutuar
No reflexo da mesma
E encontrar musica
E descobrir que não é mais que uma lágrima
E continuar a chorar
Para que a musica não acabe...
Escrever é imaginar
É sonhar acordado
E poder desenhar o desejado.
Escrever é um vício
Escrever é um vício. Por mais que não se queira volta-se sempre ao mesmo. Eu já gostei de escrever. Agora... agora é um vício, um escape, uma maneira de libertar tensões, de mentir sem se ser criticado, ou de dizer a verdade fingindo que se mente.
Duas perguntas: será que se pode ter uma crise de meia idade aos vintes? E será que se pode ter mais maturidade do que os que nos rodeiam, ou mesmo bem mais velhos? Ou se pode achar que se tem maturidade a mais (sendo isto um problema) quando na realidade temos é tempo livre a mais...? Podemos apenas estar a ser pretensiosos.
Quando olhamos à nossa volta, por exemplo, num autocarro às oito da manha e vemos toda aquela gente compenetrada nos seus pensamentos, no seu emprego, para o qual se dirigem e o qual 50% nem sequer gosta, nem sequer nos apercebemos que no seu dia-a-dia essas mesmas pessoas não têm cinco minutos para pensar... para parar e abstrair-se toda a futilidade que os rodeia e poder observar e sentir aquilo que realmente interessa. Quantos de nós já parámos para ouvir o silêncio? Quantos de nós já chegámos ao ponto de achar que a própria respiração é tão barulhenta que se pudéssemos baixar-lhe o volume o faríamos...? Eu já. E é bastante aborrecido, para não dizer irritante, achar que somos muito poucos aqueles que já o fizeram, sabendo também que há muitas pessoas que gostavam ou o queriam fazer mas não conseguem... ou então nunca o tentaram...
Para algumas pessoas, o “estar propositadamente parado” é muito difícil de fazer. Não é que pensar seja propriamente uma actividade, mas não deveria ser? Não é isso que nos distingue dos outros animais (pensamos nós...)? Talvez devesse ser instituída uma disciplina de ITP, Introdução a Técnicas de Pensar. Mas neste caso quem seriam os professores? Filósofos? Os filósofos acabam sempre por se enganar a si próprios a pensar que pensam. Dizem que a Filosofia é a alternativa da Ciência, mas acabam por cair no mesmo erro, de tentar explicar demasiado as coisas, que na sua maioria não é suposto terem explicação. Pensam demais. Não têm regra. Para além de que, não conseguiram responder à pergunta mais importante de todas: “Como viver?”.
Sim, nunca ninguém me soube responder a esta pergunta, e se houve alguém que andou lá perto não foram os filósofos, complicam demasiado as coisas. E dizem-se detentores da razão. Nem as religiões o sabem responder. Pronto, dizem: “Pratica o bem, segundo estas regras”, se fosse assim não haveria uma única pessoa boa a passar fome no mundo, e nenhuma criança do mundo sofreria...
2004