segunda-feira, novembro 27, 2006

...

Tu és o meu rumo

Tu és o meu norte

Sem ti estou perdido

Sem ti não sou ninguém...

A minha voz não sai

E as pernas não andam

Marte não está perto

Sem ti ele não existe

As folhas são mero papel branco

No qual as palavras saem sem nexo

Sem ti não sou ninguém...

O doce é insosso

E o sal nem chega a adoçar...

A chuva parece molhar

Mas são as lágrimas que secam

Os olhos cegos fingem ver

E as mãos trémulas mal sentem a luz

Sem ti não sou ninguém...

Querer parar...

Mas as unhas não deixam

E o sangue pára só de pensar

E a mão treme só de pensar

E o cantar não é igual

E o ser não é igual

Se parar morro...

Se não escrever engulo em seco

E aí tudo será pior

E aí a fonte seca

Se me faltares eu não escrevo

Se me faltares eu seco

Se me faltares sufoco

Se me faltares desapareço

Se me faltares, as meias que estão no meu chão deixarão de lá estar, e aí... aí não sou eu, deixei de escrever, sequei, sufoquei, desapareci, deixei de ser eu...

Não me faltes...

2003

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