Tu és o meu rumo
Tu és o meu norte
Sem ti estou perdido
Sem ti não sou ninguém...
A minha voz não sai
E as pernas não andam
Marte não está perto
Sem ti ele não existe
As folhas são mero papel branco
No qual as palavras saem sem nexo
Sem ti não sou ninguém...
O doce é insosso
E o sal nem chega a adoçar...
A chuva parece molhar
Mas são as lágrimas que secam
Os olhos cegos fingem ver
E as mãos trémulas mal sentem a luz
Sem ti não sou ninguém...
Querer parar...
Mas as unhas não deixam
E o sangue pára só de pensar
E a mão treme só de pensar
E o cantar não é igual
E o ser não é igual
Se parar morro...
Se não escrever engulo em seco
E aí tudo será pior
E aí a fonte seca
Se me faltares eu não escrevo
Se me faltares eu seco
Se me faltares sufoco
Se me faltares desapareço
Se me faltares, as meias que estão no meu chão deixarão de lá estar, e aí... aí não sou eu, deixei de escrever, sequei, sufoquei, desapareci, deixei de ser eu...
Não me faltes...
2003
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