segunda-feira, novembro 27, 2006

Simplicidade

Há momentos em que, por mais acompanhado que se esteja, não se consegue estar sozinho! Sim, aquelas alturas em que o mais pequeno barulho do silêncio nos incomoda, e em que desejamos estar rodeados de gente, e estamos! É extremamente irritante, quase chegando ao ponto de ser aconchegante. Até o olhar de um peixe num aquário se torna insurdecedoramente silencioso. Procuramos a paz da agitação, mas não, tudo tirou o dia para nos chatear, incluindo nós próprios! Sim, porque eu consigo ser pacificamente irritante para comigo. Digamos que sou o meu pior inimigo, em todos os aspectos.

Procuro sempre arredar-me de todos estes problemas, mas o facto é que não é possível parar o mundo por uns minutos, minutos esses de divino sossego, e fazer com que ele cumpra com todas as nossas reivindicações e direitos.

Eu só quero um canto para mim, com um colchão, água quente, e aquecimento central, e se não fosse pedir muito, comida, um sabonete, e um discman, ou mesmo uma grafonola, não sou esquisito. Ah, e muitos cd’s ou discos. Pouco mais era necessário, até porque, a partir daqui tratam-se de luxos e não bens realmente essenciais... Posso até parecer um pouco esquerdista, posso até o ser... mas é um facto de que seria feliz apenas com pequenos confortos e luxos. Não sou idealista, mas há coisas bem mais importantes do que ter tudo e mais qualquer coisa.

Um exemplo é viajar pelo mundo. Para mim de valor inestimável, o conhecimento de outros lugares e culturas é um pequeno luxo ao qual todos deveriam ter direito, porque não, só depois escolher o sítio onde viver. Assim sim, isso era qualidade de vida. Mas lá está, para a maioria de nós, quando temos possibilidades para o fazer, já não temos nem vontade, nem força para o fazer, ou melhor, para o fazer em condições.

Não damos o real valor às coisas que realmente o merecem, enquanto isso o euro já vale mais que o dólar.

2004

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