O ser não basta
O querer não chega
A inocência é necessária
O saber um prémio
É talvez impossível
Querer algo tão apetecível
Mas são poucos a desejá-lo
É belo e utópico
É indescritível e transparente
Procurado a todo o momento
Em cada passo dado
Em cada dedo levantado
Foge e esconde-se
Disfarça sem passar despercebido
Mas existe...
Já testemunhado e sentido
É pássaro que não foge no Inverno
É folha que não cai em Outubro
Persiste e é eterno
Como a tinta ao passar no papel
E existe...
É verdadeiro e leal
É uma ponte p’ra felicidade
Estando em ambos os lados
É forte e fortalece
É sombra durante a noite
E luar em pleno dia
É “contentamento descontente”
É presente e omnipotente
É voar sem sair do chão
Cair sem magoar o coração
Ser e deixar matar
É renascer a cada dia
Sem nunca deixar este mundo
É ler numa folha duma árvore
Entre veios e pautas sem fim
Manter-se a sonhar constantemente
Viver em pleno sonho
Acordar com frio
Porque se adormeceu de calor
É contra-senso óbvio e compreensível
É querer mais nada
E tudo ser capaz de ter
E nada pedir em troca
E nada mais querer p’ra viver
É ser humano animal
Mas não se vê, não se explica
Não surge do nada, surgindo do desconhecido
Que seja
Amar...
2001
1 comentário:
Este aqui merece um poema....
Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca...
;) *
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