segunda-feira, novembro 27, 2006

Escrever é um vício

Escrever é um vício. Por mais que não se queira volta-se sempre ao mesmo. Eu já gostei de escrever. Agora... agora é um vício, um escape, uma maneira de libertar tensões, de mentir sem se ser criticado, ou de dizer a verdade fingindo que se mente.

Duas perguntas: será que se pode ter uma crise de meia idade aos vintes? E será que se pode ter mais maturidade do que os que nos rodeiam, ou mesmo bem mais velhos? Ou se pode achar que se tem maturidade a mais (sendo isto um problema) quando na realidade temos é tempo livre a mais...? Podemos apenas estar a ser pretensiosos.

Quando olhamos à nossa volta, por exemplo, num autocarro às oito da manha e vemos toda aquela gente compenetrada nos seus pensamentos, no seu emprego, para o qual se dirigem e o qual 50% nem sequer gosta, nem sequer nos apercebemos que no seu dia-a-dia essas mesmas pessoas não têm cinco minutos para pensar... para parar e abstrair-se toda a futilidade que os rodeia e poder observar e sentir aquilo que realmente interessa. Quantos de nós já parámos para ouvir o silêncio? Quantos de nós já chegámos ao ponto de achar que a própria respiração é tão barulhenta que se pudéssemos baixar-lhe o volume o faríamos...? Eu já. E é bastante aborrecido, para não dizer irritante, achar que somos muito poucos aqueles que já o fizeram, sabendo também que há muitas pessoas que gostavam ou o queriam fazer mas não conseguem... ou então nunca o tentaram...

Para algumas pessoas, o “estar propositadamente parado” é muito difícil de fazer. Não é que pensar seja propriamente uma actividade, mas não deveria ser? Não é isso que nos distingue dos outros animais (pensamos nós...)? Talvez devesse ser instituída uma disciplina de ITP, Introdução a Técnicas de Pensar. Mas neste caso quem seriam os professores? Filósofos? Os filósofos acabam sempre por se enganar a si próprios a pensar que pensam. Dizem que a Filosofia é a alternativa da Ciência, mas acabam por cair no mesmo erro, de tentar explicar demasiado as coisas, que na sua maioria não é suposto terem explicação. Pensam demais. Não têm regra. Para além de que, não conseguiram responder à pergunta mais importante de todas: “Como viver?”.

Sim, nunca ninguém me soube responder a esta pergunta, e se houve alguém que andou lá perto não foram os filósofos, complicam demasiado as coisas. E dizem-se detentores da razão. Nem as religiões o sabem responder. Pronto, dizem: “Pratica o bem, segundo estas regras”, se fosse assim não haveria uma única pessoa boa a passar fome no mundo, e nenhuma criança do mundo sofreria...

E assim se vai deixando passar dia após dia, sem se dar por ela... sem se tirar partido de tudo aquilo que nos é oferecido... sem por exemplo, parar para pensar....

2004

1 comentário:

Anónimo disse...

Desde já peço desculpa pela invasão.
E dps um "Parabéns" pelo blog :)

Quanto ao texto,tens toda a razao!
Pensar nas coisas realmente importantes ninguem pensa.O stress,os problemas e a própria roda-viva do dia-a-dia impede-nos de poder pensar sequer nas coisas para além dos factos.Ninguem se questiona do "Porquê".E essas pessoas ainda dizem que esses "Porquês" é que sao fúteis!

"Quantos de nós já chegámos ao ponto de achar que a própria respiração é tão barulhenta que se pudéssemos baixar-lhe o volume o faríamos...? Eu já. "

Sabes,eu também! Mas talvez seja esse o motivo..termos tempo para pensarmos ! :)