segunda-feira, novembro 27, 2006

2º acto...

O ser não basta

O querer não chega

A inocência é necessária

O saber um prémio

É talvez impossível

Querer algo tão apetecível

Mas são poucos a desejá-lo

É belo e utópico

É indescritível e transparente

Procurado a todo o momento

Em cada passo dado

Em cada dedo levantado

Foge e esconde-se

Disfarça sem passar despercebido

Mas existe...

Já testemunhado e sentido

É pássaro que não foge no Inverno

É folha que não cai em Outubro

Persiste e é eterno

Como a tinta ao passar no papel

E existe...

É verdadeiro e leal

É uma ponte p’ra felicidade

Estando em ambos os lados

É forte e fortalece

É sombra durante a noite

E luar em pleno dia

É “contentamento descontente”

É presente e omnipotente

É voar sem sair do chão

Cair sem magoar o coração

Ser e deixar matar

É renascer a cada dia

Sem nunca deixar este mundo

É ler numa folha duma árvore

Entre veios e pautas sem fim

Manter-se a sonhar constantemente

Viver em pleno sonho

Acordar com frio

Porque se adormeceu de calor

É contra-senso óbvio e compreensível

É querer mais nada

E tudo ser capaz de ter

E nada pedir em troca

E nada mais querer p’ra viver

É ser humano animal

Mas não se vê, não se explica

Não surge do nada, surgindo do desconhecido

Que seja

Amar...

2001

1 comentário:

Anónimo disse...

Este aqui merece um poema....

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca...

;) *